terça-feira, 23 de novembro de 2010

Sentir!

Já não sinto frio
nem calor!
Já não sinto esperança
nem tão pouco dor.

Estou como entorpecida
neste dia-a-dia actual
onde me mantenho presente
com uma ausência total.

Já não tenho crença
Em que hei-de acreditar?
Dizem, há que ter esperança
Já não sei esperar...

Já não sinto medo
os receios não existem
transformei-me num robot
onde os sentimentos não existem.

E assim controlo a minha dor!

O muro da minha vida

Estão na minha vida
como uma praga
Por vezes apunhalam
a minha alma...
todo o meu ser estremece,
como doí!

De cada vez que o fazem
o "muro" cresce
Forte, imponente...
para de mim afastar
todo e qualquer ser
que seja intransigente.

Este "muro" é alto
resistente
não passam raízes
não passam dores
não passa gente.

É um "muro" de fantasia
mas digno de venerar
protege-me de toda a perfídia
de todo o mal estar!

Sim! Gostaria de um
belo dia,
o "meu muro" destruir.
Conseguir transformar
toda a animosidade
todo o rancor
numa bonita amizade,
sem adversidade
para um mundo melhor.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A Fragilidade Humana

Todos os seres humanos, inclusive eu, têm a tendência incrível de se esconderem atrás de uma carapaça dura e impenetrável de forma a esconderem os seus verdadeiros sentimentos. Mas esquecemo-nos que tudo quebra... e um dia, junto com essas fortes carapaças, quebram-se também os nossos corações.
No nosso quotidiano, aprendemos, crescemos criamos momentos de intensa felicidade e alegria, mas também choramos, sofremos e cometemos erros. Esses erros fazem parte da construção da nossa personalidade e também da nossa maior ou menor fragilidade enquanto seres humanos. Li algures que as lições da vida não se medem em sabedoria, mas em calosidades e cicatrizes.
Quem somos, o que fazemos, as grandes e pequenas decisões da vida, os obstáculos que transpomos todos os dias, nesta longa caminhada nunca é nada comparado com a vida da pessoa que está mesmo ao nosso lado e como está escondida na sua forte carapaça, nada nos mostra, nada transmite... até ao dia em que uma pequena rachadela abre uma brecha, deixando jorrar um bocadinho do sofrimento oculto. Então constatamos espantados, que quantas vezes invejamos aquela vida e afinal a nossa é que é perfeita e maravilhosa, mesmo com os senãos que nos torna menos felizes.
Nesta sociedade tão individualista nem sequer é possível pensar em mostrar os sentimentos ao nosso vizinho. No entanto acredito que todos os seres humanos mais tarde ou mais cedo têm o seu momento de fragilidade e felizmente também acredito que mais tarde ou mais cedo encontrarão alguém que os escute com o coração. É disto que necessita este mundo para vivermos melhor.
Quem não tem sonhos e objectivos! Lutamos incansavelmente por os alcançar e quando os obtemos, normalmente procuramos uma nova etapa a atingir. Tudo isto é correto, faz parte do nosso crescimento e é uma grande ajuda para nos inserirmos neste mundo tão competitivo. Mas até que ponto saberemos parar para conseguirmos e termos tempo para olhar para as coisa belas da vida? Quantos pais não viram os seus filhos crescer? Quantos não tiveram tempo para arranjar amigos ou família e de repente apercebem-se que estão sós?
E se mais tarde nos arrependermos de não ter feito mais? É fácil contentarmo-nos com pouco, porque já achamos muito e esse muito a longo prazo torna-se insuficiente...
A Fragilidade humana dita as regas do contentamento ou descontentamento, da vontade de vencer e ir cada vez mais longe ou ficar pelo que já se tem. Isso não é criticável! Cada ser humano é como é... e acima de tudo cada um deve procurar a sua felicidade e essa sim, muitas vezes é o maior tesouro que se pode conquistar.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Portas!

As Portas da vida
são, talvez, complicadas
Várias vezes estão abertas
com entradas amaldiçoadas.
Quantas Portas nós transpomos
Nesta nossa caminhada
Por esta longa vida
Tantas vezes amargurada.

Passo a passo continuamos
A muitas Portas transpor
Porque temos curiosidade
no Futuro,
e queremos o passado repor.
Quando uma Porta
fechamos
Foi algo mui' belo,
ou talvez atroz
que na vida ocorreu.
Não esquecer não vamos
Simplesmente o guardaremos para nós.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Simplesmente Ser!

Quantas vezes já pensei
Transformar-me noutro ser.
Mudar de rosto, de corpo
Até de alma também!
Mas a alma é eterna
Imutável, eu sei.

Estou farta de tudo
e nem sei bem de quê
É a merda deste mundo
Onde não quero estar
e onde sempre permanecerei
Tal como numa prisão,
encarcerada em pensamentos
transcendentes,
actos inconsequentes
Que não têm explicação

Sentimentos frios, quentes...
Como feridas ardentes
Que me ferem o coração
Quantas vezes amargurado
E tão poucas vezes não.
Porém a tristeza
essa dor irrevelada
no meu sorrir...
Essa, sempre habitará
Eterna, dolorosa, emocionante
encarcerada no meu coração.

Com repugnância tento fugir
insisto em me soltar
Destas grades decrépitas,
corro sem olhar para trás
como se algo perseguisse
a minha mente perspicaz.

Essa que jamais desejei possuir
Essa que só me oferece
tristezas vãs.
Ver o indizível, o inefável
dos que querem esconder
os sentimentos verdadeiros
sejam bons ou traiçoeiros.
Não, não me conseguem enganar
infelizmente consigo ver a alma
Nesse falso olhar de prodidão!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Segredos!

Há palavras que nunca
te direi.
Penso e sinto,mas
não quero, nem sou capaz
e as exprimir...
tal como o inefável,
ou o indezível
não se diz.

Essas palavras transmitem
sentimentos, dores, sofrimentos,
alegrias e lamentos...
são doces como mel
carinhosamente elaborado
pelas incansaveis abelhas,
ou afiadas como punhais
que ferem e rasgam
sem misericórdia.

Ficarão guardadas
por toda a eternidade
dentro da minha enorme
caixinha secreta
tal como um precioso
e grandioso tesouro.

Jamais haverá um mapa
ou caminho tracejado
para conseguires lá chegar.
São Minhas!
Jamais as transmitirei
a alguém.
Jamais alguém as encontrará.

Ficaram perdidas no tempo
da minha curta ou longa existência.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Quem sou eu?

Os outros continuam a ver-me como aquilo que sempre fui. Mas, só eu sei que já não sou aquilo que sempre fui. Agora sou o que Sou e não consigo mostrar aos outros aquilo que sou.
Também não sei o que sou... O que sei claramente é que deixei de ser aquilo que sempre fui!
Olho-me no espelho e a imagem reflectida é uma mentira porque também ela me mostra aquilo que sempre fui.
Então porque não o sou??
Porque quando fecho os olhos e "olho" para dentro de mim, não me vejo como fui, vejo-me como Sou.
Falsamente, quando converso com os outros, respondo-lhes como sempre respondi, tapando a boca ao diabinho atrevido que me quer convencer a mostrar que já não sou o que fui. E consigo!
É como se tivesse duas pessoas dentro de mim: aquela que foi e aquela que é, numa luta constante e ambas invenciveis.